VARAL POESIA – MARCO CELSO HUFFELL VIOLA

28/06/2007

P O E M A S S E M P A L A V R A S

Retiro
o teto das palavras,
o assoalho, qualquer apoio,
assôo-as pelo nariz,
frito-as como lingüiça
deixo-as feias, lânguidas
enfermiças.
Com descaso por sua aparência,
esfrego nelas verniz, depois raspo-as com um caco de telha,
risco como um risco de giz com um guincho na parede,
tiro-lhes o brilho,
porque mais feio é quem me diz
ou quem não me quis,
gosto de nelas mergulhar críticos, barbantes e rinocerontes
são eles que tornam o mundo redondo
e fácil de entender.
Falar, escrever, pode ser tão bonito
quanto foder,
basta saber dizer
ou saber fazer.

*do livro Viver a Paixão de Cada Passo Ed. Alegoria

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28/06/2007


VARAL VIRTUAL – PAULO HECKER FILHO

27/06/2007

EU DIRIA PÁRA

Se fosse possível,
eu diria pára.
Mas nada detém o mundo.
Nem um coração que pára.


QUERO MORRER LENTAMENTE

Quero morrer lentamente
Como enfim se completa o silêncio após a música
Como acabam os dias mudamente aterrados
Como somem as ondas num afago final à praia
inconquistável
Quero morrer lentamente
Com o secreto adeus do beijo que mal roça nos lábios
Com a austeridade das rosas até a corrupção
Com este tremor do nada que em certos instantes corre
pela espinha da Via-Láctea
Quero morrer lentamente
Como se apaga o eco nas montanhas
Como as nuvens se esgarçam e se extinguem
Como o velho cavalo já não se levanta
Quero um silêncio maior que o da morte
O silêncio do fundo do mar
Do coração da terra
Do espaço entre os astros
Quero afundar no silêncio
No silêncio
No silêncio
No silêncio.



– em “Perder a vida”, 1985, ed.Tchê!


27/06/2007
fotopoema: Pirata

VARAL VIRTUAL – ALBERTO CRUSIUS

25/06/2007

PIRATAS, ARGOS E NARCISO


Alvorecer

Célere, a galera sulca.
Hierático, o fato: é fenícia. E pirata.


Argos, com direito à citação.

Esbarra com fragor marítimo de espoucada espuma, no sonoro nome de Argos, a idéia de que seja arbitrário o signo. Era Argos, erga omnes, navio de Jasão e patético, oportuno, cão de Ulisses. Ir e retorno, num só nome, reunidos.


Narciso sem plástica

Sou meu rosto.
São as rugas o derradeiro rastro
dos passados anos em sulco semeados.

Lenta é a colheita, macias as sombras.
Também sabe a mosto
o suave sol posto.


VARAL POESIA – SURIEL RIBEIRO

25/06/2007

fotopoema: Pirata
O meu verso é água pura
Correndo pelo lagedo
É semente de arvoredo
Brotando na terra dura
É fruta doce madura
No pomar da poesia
É o sopro da ventania
Varrendo a terra escarpada
É noite toda estrelada
E o Sol no raiar do dia

25/06/2007

VENHA PARTICIPAR DO SARAU
DO GRUPO RAIZ DA POESIA,

COM GENTE ANIMADA, UM BAR BACANA
E POESIA, MUITA POESIA.


Adriana Kless
Ernesto Braga
Jorge Linhaça
Mara Inez Moraes
Marco Araujo
Soninha Ferraresi Porto


Dia: 29 de junho de 2007
Hora: 20:30 h
Local: Pub Botti
Felipe Nery, nº. 81 Auxiliadora – Porto Alegre/RS
Couvert Artístico: R$5,00
Solicitamos confirmar presença
raizdapoesia@gmail.com

Para ser poeta
basta uma caneta
um papel
um bar
uma rua
uma lua
dias e noites

Para fazer poesia
basta um amor
seja de que jeito for
uma janela para a vida
e um espírito que possa voar