31/12/2007


Varal Virtual – Maria Dinorah

23/12/2007

TRÊS MENINOS

Piso em cascas de bananas,

escorrego e vou ao chão.

Três garotinhos me acodem,

todos três, chapéu na mão.

O primeiro andava às voltas

com a espada do He-Man.

Pónei branco de asas soltas

rodopiando num vaivém.

O segundo, confiado

como quem sabe o que é,

era um negrinho enfezado

gingando o samba no pé.

O terceiro era castanho

e parecia não ser.

Nas abas do seu tamanho

era ausência o seu poder.

E ao me erguerem, seus olhares

tão iguais e diferentes,

eram modernos radares

brincando de antigamentes.

O MUNDO QUE IMAGINO

O mundo que imagino

tem fita no cabelo.

Olhar de vaga-lume,

sabor de caramelo.

Tem macaco e pantera

andando de balão.

Tem um sapo encantado

tocador de violão.

E por todos os cantos

tem aquela janela

que era minha e era tua

e era dele e era dela.

É um sucesso esse mundo

que vivo imaginando.

E por ele, há uma fila

de menino esperando.

PREOCUPAÇÃO

Eu gosto tanto de brincar de infância,

que esqueço, às vezes, o apagar dos dias.

Como se a vida, a derramar distância,

fosse um brinquedo em minhas mãos vazias.

Eu sofro tanto co’a desimportância

que dão à infância as realidades frias,

que esqueço, às vezes, sufocada de ânsia,

a infância azul das minhas fantasias.

E entre a lembrança do passado ausência,

e do presente, feito de violência,

temo por um futuro, onde a desesperança

faça do homem este ser de espanto

em cujos passos emudeça o canto

que o fez tão grande, quando foi criança!